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Retrato e pose

Quanto custa fotografar retratos e o que pesa no preço da pose

Uma conta honesta do que custa orientar um modelo e fazer um retrato com à-vontade: tempo, espaço, equipamento e preparação, e onde vale a pena gastar.

Marta Figueiredo

6 minutos de leitura

Quanto custa fotografar retratos e o que pesa no preço da pose

O custo que não se vê no equipamento

Quando se pergunta quanto custa um retrato, a resposta costuma começar pela câmara. Na minha experiência, é a parte que menos pesa. Uma máquina e uma objetiva razoáveis servem durante anos, e o que decide a qualidade de uma pose está noutro sítio: no tempo que se dedica à pessoa que está diante da lente.

Orientar um modelo é um trabalho de paciência. Quem nunca foi fotografado fica rígido nos primeiros minutos, e é preciso conversar, mostrar a posição dos ombros, ensinar a respirar antes do disparo. Esse tempo não aparece em nenhuma lista de material, mas é o que se paga, mesmo quando se fotografa um amigo e a conta é só a nossa tarde.

Por isso gosto de começar a conta pelas horas e não pelas peças. Uma sessão de retrato simples pede preparação antes, a sessão em si e uma seleção depois. Se contar apenas o tempo de disparo, vai achar tudo barato e acabar por apressar precisamente a parte que faz o retrato parecer natural.

Tempo de sessão: o fator que mais pesa

Se tivesse de apontar um único fator para o preço de uma sessão, seria a duração. Um retrato com à-vontade raramente nasce nos primeiros dez minutos. Costuma surgir quando a pessoa já se esqueceu de que está a ser fotografada, e isso leva o seu tempo, que varia muito de pessoa para pessoa.

Planeio sempre uma margem. Para um retrato individual, conto com um período de aquecimento em que quase não carrego no botão, só falo, ajusto e experimento. Quem tenta encaixar uma sessão numa hora apertada paga depois em fotografias tensas, que obrigam a repetir tudo noutro dia.

Quando se fotografa por conta própria, o custo é o seu tempo livre. Quando se trabalha para outros, é preciso cobrá-lo com honestidade. Em ambos os casos, o erro mais comum é subestimar a pausa entre poses, a troca de roupa e o simples tempo de respirar, que contam como parte do trabalho.

  • Aquecimento sem disparar muito
  • Pausas e trocas de roupa incluídas
  • Margem para repetir uma pose que não funcionou

Espaço e luz: o que realmente é preciso

Não é necessário um estúdio grande para fazer bons retratos. Uma divisão com uma parede limpa e uma janela pode bastar para começar, e foi assim que aprendi. O que encarece é a vontade de ter tudo controlado: fundos, suportes, difusores, um espaço onde o modelo se sinta confortável.

Há um custo discreto que muita gente esquece, o do conforto. Uma cadeira estável, um banco, um espelho pequeno e uma temperatura agradável fazem diferença na postura de quem posa. Pessoas com frio ou desconfortáveis ficam com os ombros subidos, e nenhuma luz resolve isso depois.

Investir em luz e espaço deve acompanhar o que realmente fotografa. Se faz retratos de rosto, precisa de menos metros e de menos peças do que imagina. Compre devagar, perceba o que falta numa sessão concreta e só então acrescente algo, em vez de equipar o estúdio por antecipação.

Preparar o modelo também tem preço

Uma boa parte do trabalho acontece antes da sessão. Falar com a pessoa, perceber o que pretende do retrato, escolher juntos a roupa e as cores que combinam com o fundo evita muitas horas perdidas. Chamo a isto preparação, e conta como trabalho, mesmo que se faça por mensagem ou ao telefone.

Num retrato, o modelo precisa de saber o que se espera dele. Explico sempre o plano de forma simples: quantas poses vamos tentar, quanto tempo demora, o que fazer com as mãos. Quando a pessoa percebe o caminho, relaxa mais depressa, e a sessão rende mais com menos esforço.

Quem fotografa amigos e família pode pensar que isto é exagero, mas o princípio é o mesmo. Um quarto de hora de conversa antes poupa meia hora de poses forçadas. É um investimento barato, que depende só de se lembrar de o fazer e de o fazer com calma.

  • Conversar sobre o objetivo do retrato
  • Combinar roupa e cores com antecedência
  • Explicar o plano da sessão ao modelo

Seleção e entrega: o trabalho depois do disparo

Depois da sessão há um trabalho que quase ninguém vê. Rever centenas de imagens, escolher as que mostram bem a pessoa, descartar as de olhos fechados ou de expressão duvidosa e preparar o conjunto final consome horas. É aqui que muitos orçamentos ficam curtos, porque se contou só o tempo diante da câmara.

Prefiro entregar poucas imagens bem escolhidas a um excesso sem critério. Uma seleção cuidada respeita o modelo, que se reconhece nas fotografias, e respeita quem recebe, que não tem de procurar o melhor retrato no meio de muitos iguais. Esse critério demora a exercitar e vale o tempo que leva.

Se vai tratar as imagens, some mais algum tempo ao cálculo, mas mantenha um fluxo simples. Quanto mais corretas forem a luz e a pose no disparo, menos trabalho resta depois, e esse é talvez o argumento mais forte para gastar o tempo no início.

Onde vale a pena gastar e onde poupar

Se tivesse de dividir um orçamento modesto, daria prioridade ao tempo e à preparação, depois ao conforto do espaço e só por fim ao equipamento. É uma ordem que contraria o instinto de quem começa, mas que a prática confirma, sessão após sessão, com qualquer tipo de modelo.

Poupar faz sentido em acessórios que se usam pouco, em fundos que podem ser improvisados com um lençol liso e em objetivas muito específicas. Não faz sentido poupar na calma: marcar sessões sem pressa, deixar margem entre uma e outra e aceitar repetir quando algo não funciona.

Com o início do outono, a luz mais baixa e suave das tardes ajuda a poupar em equipamento, porque uma janela já dá bons resultados. Aproveite essa condição natural, planeie sessões com tempo e perceba, por experiência própria, quanto vale cada hora que dedica ao modelo e ao retrato.

  • Dar prioridade ao tempo e à preparação
  • Poupar em acessórios pouco usados
  • Reservar sempre margem entre sessões

O preço de um retrato com pose não está na câmara, está nas horas: preparar o modelo, deixá-lo ganhar à-vontade, escolher com critério e entregar com calma. Quem fizer esta conta com honestidade gasta menos em material e mais onde conta. Comece pelo tempo, melhore o espaço aos poucos e deixe o equipamento para o fim.

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Blogue independente de fotografia de estúdio, escrito em Coimbra por Marta Figueiredo. Luz, retrato, câmaras e edição explicados com calma e exemplos simples.

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