Antes de editar um retrato: o que verificar primeiro
Uma lista de verificação para percorrer antes de abrir o programa de edição, para tratar retratos com a pele e a cor naturais e decidir o que realmente merece ser mexido.
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Antes de mexer em qualquer cursor
Nestas semanas de início de outono, voltei a sentar-me à secretária com as fotografias das últimas sessões e percebi que o erro mais comum não está na edição, está na pressa. Abrimos o ficheiro e começamos logo a puxar cursores, sem ter decidido o que queremos do retrato. Por isso criei uma pequena lista que percorro antes de tocar em qualquer coisa, e que partilho aqui para quem quer tratar retratos sem os desfigurar.
A lista não substitui o gosto de cada pessoa. Serve para parar um minuto e responder a perguntas simples: a fotografia está bem exposta? A cor da pele parece a que vi no estúdio? O que me incomoda é um defeito real ou apenas um hábito de perfeccionismo? Quem responde a isto antes de editar costuma gastar metade do tempo e chegar a um resultado mais honesto.
Escolher a fotografia certa
O primeiro ponto da lista é a seleção. Uma sessão pode render cem ficheiros e apenas cinco merecem tratamento. Vejo as imagens em tamanho pequeno primeiro, porque é nessa escala que o olhar, a expressão e a composição se revelam sem distrações. Se a fotografia não funciona assim, nenhum ajuste de contraste a vai salvar.
Depois comparo as candidatas lado a lado e procuro o olhar mais vivo, a mão mais relaxada, o ombro sem tensão. Descarto sem pena as que têm olhos semicerrados ou um sorriso a meio. Editar uma imagem fraca é trabalho perdido; editar uma boa imagem é quase só acabamento. Esta decisão poupa mais horas do que qualquer atalho de teclado.
- Rever em miniatura antes de ampliar
- Escolher por expressão e olhar, não por nitidez
- Limitar a seleção a poucas imagens por sessão
Exposição e balanço de brancos
Com a imagem escolhida, verifico a base: exposição e balanço de brancos. Se o ficheiro for revelado a partir do formato RAW, tenho margem para corrigir uma exposição ligeiramente curta, mas prefiro não abusar. Levantar sombras em excesso traz ruído e uma pele sem corpo. Procuro que as altas luzes da testa e do nariz não percam detalhe e que o rosto mantenha volume.
No balanço de brancos uso uma referência neutra, como o cartão cinzento fotografado no início da sessão, quando o tenho. Se não o tenho, ajusto até que um fundo branco ou cinzento pareça mesmo branco ou cinzento. Uma dominante amarelada ou esverdeada na pele é o que mais denuncia uma edição apressada, e corrige-se aqui, não mais à frente com filtros de cor.
- Não recuperar mais do que uma pequena margem de exposição
- Usar uma referência neutra para o balanço de brancos
- Confirmar que as altas luzes mantêm detalhe
A pele: o que tratar e o que deixar
Esta é a parte em que a calma conta mais. Uma pele real tem poros, pequenas linhas e variações de tom, e é isso que a faz parecer pele. Retiro o que é passageiro, como uma borbulha, uma marca de sono ou um fio de cabelo perdido, e deixo o que faz parte da pessoa. Cicatrizes antigas e rugas de expressão, por regra, ficam, a não ser que o retratado peça outra coisa.
Evito sobretudo o desfoque generalizado da pele, que dá aquele aspeto de plástico que se reconhece a distância. Quando é preciso suavizar, faço-o em pequenas áreas, com pouca intensidade, e volto a olhar a imagem em tamanho reduzido para confirmar que ainda parece uma pessoa. Se hesito, desfaço o último passo e sigo em frente.
- Retirar o passageiro, manter o permanente
- Suavizar só localmente e com pouca intensidade
- Verificar sempre em tamanho pequeno
Cor, contraste e coerência da série
Quando a pele está resolvida, passo à cor e ao contraste. Faço ajustes curtos na curva de tons, um pouco de contraste nos meios-tons e, se for preciso, reduzo a saturação de uma cor que compete com o rosto, como uma parede viva ao fundo. A regra é que nada no retrato deve ganhar mais atenção do que o olhar.
Se a sessão vai render várias imagens para a mesma pessoa, procuro que partilhem o mesmo tratamento. Aplico os ajustes principais a uma fotografia, copio-os para as outras e só depois afino caso a caso. Assim a série parece pensada em conjunto e evito aquele efeito de álbum em que cada imagem tem uma cor diferente. Fica também mais fácil retomar o trabalho noutro dia.
Exportar e guardar com critério
Por fim, decido o destino da imagem antes de exportar. Para o ecrã uso um tamanho moderado e o espaço de cor sRGB, que se comporta bem em qualquer dispositivo. Para impressão exporto na resolução máxima, num formato sem perdas, e guardo uma cópia separada. Nunca sobrescrevo o original, porque daqui a uns meses posso querer tratar a mesma fotografia de forma diferente.
Organizo as pastas por sessão e data e escrevo uma nota curta com o que mudei e por quê. Parece excessivo, mas poupa-me tempo quando alguém pede outra versão. Fechar o programa e voltar à imagem no dia seguinte, com olhos descansados, é o último item da lista e muitas vezes o mais útil: o que parecia necessário de véspera já não o é.
- sRGB para ecrã, resolução máxima para impressão
- Guardar sempre o original intacto
- Rever a imagem no dia seguinte
Editar bem um retrato é sobretudo decidir bem antes de editar. Escolher a imagem certa, corrigir a base, respeitar a pele e manter a cor coerente evita quase todos os excessos. Experimente esta lista na sua próxima sessão, devagar, e compare o resultado com o que costumava fazer. Se a imagem final ainda parecer a pessoa que esteve diante da câmara, o trabalho está feito.