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Como escolher o fundo certo para um retrato de estúdio

Um guia prático para escolher papel, tecido e cor de fundo que sirvam o retrato: como testar, que distância dar ao modelo e o que evitar nas primeiras sessões.

Marta Figueiredo

6 minutos de leitura

Como escolher o fundo certo para um retrato de estúdio

Comece pelo modelo, não pelo fundo

Quando alguém me pergunta que fundo deve comprar primeiro, respondo sempre com outra pergunta: quem vai ficar à frente dele? O fundo existe para sustentar o retrato, nunca para competir com ele. Uma pele clara, um casaco escuro, cabelo ruivo ou grisalho, tudo isto muda o que funciona atrás da pessoa.

Antes de abrir qualquer rolo de papel, olho para o modelo em luz de janela e reparo em três coisas: o tom da pele, a cor da roupa e a forma do cabelo. Se o cabelo for muito escuro, um fundo escuro vai engoli-lo e perde-se o contorno. Se a roupa for clara, um fundo branco deixa a figura sem peso.

Esta leitura demora um minuto e poupa meia hora de tentativas. Com o tempo, torna-se um hábito: primeiro a pessoa, depois o tom que a faz destacar-se com naturalidade.

  • Tom de pele: quente ou frio, claro ou escuro
  • Cor e textura da roupa que o modelo traz
  • Cabelo: contorno nítido ou volumoso e difuso

Papel, tecido ou parede: o que cada um dá

O papel de fundo em rolo é a escolha mais prática para começar. A superfície é lisa e uniforme, e quando se suja ou amarrota corta-se a parte gasta e desenrola-se mais. Tem um custo baixo por sessão e existe numa gama enorme de cores, do branco ao cinzento e aos tons terrosos.

O tecido dá outra conversa. Uma musselina ou um pano de algodão pendurado deixa dobras, gradações e uma textura que lembra pintura. Pede mais cuidado: tem de ser passado a ferro ou bem esticado, e qualquer vinco fica à vista.

Uma parede lisa, pintada de um tom neutro, também serve e não custa nada se já a tiver. O inconveniente é a falta de flexibilidade: só tem uma cor e só a pode afastar ou aproximar do modelo se houver espaço na sala.

  • Papel: uniforme, económico por sessão, fácil de substituir
  • Tecido: textura e gradação, exige estar bem esticado
  • Parede: gratuita, mas fixa na cor e na distância

A cor: fundos neutros primeiro, cores fortes depois

Para quem está a começar, recomendo um cinzento médio e um tom quente claro, como um bege ou um creme. O cinzento médio é o mais versátil: com pouca luz sobre ele fica escuro, com mais luz fica claro, e o mesmo rolo dá resultados muito diferentes sem mudar nada no equipamento.

As cores fortes, como um azul profundo ou um verde-garrafa, pedem mais critério. Refletem-se na pele, sobretudo se o modelo estiver perto, e podem dar um tom estranho ao rosto. Funcionam bem quando a roupa e o fundo estão na mesma família de cores, ou em oposição clara, sem meios-termos.

Um teste simples: peça ao modelo que segure o fundo ao lado do rosto, ou fotografe a pessoa com um pedaço de papel ao lado. Em dois disparos percebe se a cor ajuda ou atrapalha.

Distância entre o modelo e o fundo

Muita gente esquece que o fundo também se regula pela distância. Se o modelo estiver encostado ao papel, a sua sombra cai sobre ele e o retrato ganha um aspeto achatado. Afastar a pessoa um metro e meio ou dois do fundo separa os planos e deixa o papel receber a sua própria luz.

Com o modelo afastado, o fundo fica mais escuro, porque a luz principal já não o atinge com a mesma força. Se quiser um fundo mais claro sem alterar a luz do rosto, pode apontar-lhe uma luz própria, mais fraca, ou aproximá-lo um pouco.

Num estúdio pequeno, como é o meu, nem sempre há espaço. Nesses casos uso uma objetiva um pouco mais longa e abro bem o diafragma, para que o fundo perca nitidez e as imperfeições do papel desapareçam.

  • Modelo encostado ao fundo: sombras duras e plano achatado
  • Um a dois metros de distância: planos bem separados
  • Pouco espaço: objetiva mais longa e diafragma aberto

Pequenos cuidados que se notam no resultado

Os defeitos de um fundo raramente se veem a olho nu, mas aparecem logo no ecrã. Vincos no papel, marcas de pegadas no chão, pó, uma dobra mal esticada: tudo isto sobe à superfície quando se amplia a fotografia. Gasto cinco minutos antes de cada sessão a verificar a parte do papel que vai ficar visível.

Guardo os rolos na vertical, com uma proteção nas pontas, para não amolgarem. Os tecidos ficam dobrados em caixas, longe de humidade, e levam ferro antes de serem usados. Parecem gestos pequenos, mas evitam horas de retoque depois.

Outro hábito útil: tirar uma fotografia de teste só do fundo, sem modelo, com a luz já montada. Assim vejo logo se há manchas de luz irregulares, cantos mais escuros ou reflexos que não esperava.

Construir uma pequena coleção sem gastar de mais

Não precisa de dez cores para começar. Com um cinzento médio, um tom claro e um escuro, quase preto, cobre a maioria dos retratos. Acrescente depois, uma de cada vez, conforme perceber o que lhe falta nas sessões que vai fazendo.

Nestas semanas de outono, aproveito a luz mais baixa e os tons quentes da estação para experimentar fundos terrosos, ocres e castanhos suaves, que combinam bem com malhas e lãs. É uma boa altura para testar sem pressa, porque os dias mais curtos obrigam a planear melhor cada sessão.

Anote o que resultou: que fundo, que distância, que luz. Um caderno simples ou uma nota no telemóvel ajuda mais do que qualquer equipamento novo, porque transforma cada tentativa em experiência que pode repetir.

  • Três fundos de base: cinzento médio, tom claro e tom escuro
  • Acrescentar uma cor de cada vez, só quando fizer falta
  • Registar fundo, distância e luz de cada sessão

Escolher um fundo é uma decisão pequena que muda o retrato inteiro. Olhe primeiro para a pessoa, comece por tons neutros, afaste o modelo do papel e verifique o fundo antes de disparar. Com três rolos bem escolhidos e algum método, faz bons retratos durante muito tempo. O resto vem com a prática e com a paciência de repetir o teste.

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